O retrato de uma estrela

“A morte de Marilyn, tão estranha, tão impossível de captar, tão contraditória, permanecerá enigmática para sempre não apenas porque as provas “objetivas” foram desviadas irremediavelmente. Nos relatos e na lenda, assassinato e suicídio continuam a se contaminar mutuamente. Como se a morte de Marilyn fosse marcada por seu estilo: a performance incessante de uma vibração intangível. Ponto nuclear da explosão e do perigo".

 

A síntese acima é da psicanalista e escritora Marie-Magdeleine Lessana, autora do livro “Marilyn, retrato de uma estrela”, lançado no Brasil em dezembro de 2006 pela Zahar Editora. Um livro sério, onde a autora teve acesso a cartas reveladoras e à correspondência entre psicanalistas que trataram de Marilyn.

Lendo o livro, percebi que autora dá um tratamento especial ao seu personagem (real, não fictício), sem sensacionalismo ou falso moralismo, talvez, por ser uma psicanalista, como se Marilyn fosse sua paciente. Tem um enfoque crítico em relação aos profissionais de sua área que cuidaram da atriz e aponta os possíveis erros que estes cometeram com descabidas internações e excessos de drogas nos tratamentos.

 

Num dos capítulos deste livro, intitulado “Silêncio e morte”, a autora descreve de forma dramática como poderia ter ocorrido o possível assassinato da atriz, envolvendo as pessoas mais próximas, das quais Marilyn começara a quere livrar-se, como “Pat Newcomb, sua assessora de imprensa, amiga dos Kennedy, bem como Eunice Murray, sua governanta, amiga de Greenson, e provavelmente até mesmo o próprio Greenson”, seu psicanalista.

A autora conta também sobre um “terrível fim de semana” que Marilyn teria passado na casa de Frank Sinatra, com a presença de amigos, cujos nomes são citados pela autora, onde o interesse era calar Marilyn, temendo que abrisse a boca, sendo por isso drogada e maltratada por aqueles cavaleiros na frente de todos.

“ É inacreditável que seus amigos e protetores Sinatra e Lowford tenham empurrado Marilyn para tal armadilha”.

Marilyn não só se calou sobre este dramático acontecimento, como se calou para sempre, levando com ela o enigma de sua morte até hoje remexido e rebuscado, agora com novas revelações que poderão tornar-se oficiais, caso venham a ser comprovadas. Só assim, talvez a deixem em paz.



Escrito por Celso Duarte às 13h59
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Os dias finais

 

A notícia sobre o possível complô envolvendo amigos e pessoas próximas de Marilyn pode ter fundamento, principalmente, se considerarmos que a atriz não apresentava sintomas e não demonstrava uma possível tendência suicida nos dias que antecederam sua morte.
Marilyn amava a vida.

Em outras ocasiões exagerou nos soníferos, foi hospitalizada. Adepta ao inevitável consumo de drogas e champanhe.
Por certo era consciente do seu talento, seu sucesso e seu inegável carisma. Mesmo assim, não se acomodou no patamar da glória. Submeteu-se ao método do Actor’s Studio de Lee Strasberg, com a humildade de uma iniciante.
Estava se preparando para uma carreira futura, quando sua beleza não correspondesse mais às exigências das câmeras
Criou sua própria empresa e escolhia seus próprios filmes e diretores.

Teve sim, um caso com Bobby Kennedy, vislumbrando a possibilidade de um dia vir a ser a primeira dama da maior potência mundial. Por que não? Naquele estágio de sua vida e carreira já havia superado muitas das barreiras que interferiam na sua trajetória. Escolheu seus maridos e seus amantes e sua carreira já não dependia mais de possíveis favores sexuais a que se submeteu na difícil fase inicial.

Na filmagem do seu último e inacabado filme Something’s Got to Give,

surpreendeu a todos, dispensando o maiô cor da pele, revelando pela primeira vez na tela sua nudez com total liberdade. Sabia que a sua beleza não duraria para sempre e queria registrá-la, entregar-se, talvez libertar-se das amarras do moralismo
do início dos anos 60.



Escrito por Celso Duarte às 11h30
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O complô

Pela primeira vez, após 44 anos, surge, oficialmente, algo de concreto sobre a eventual possibilidade da atriz Marilyn Monroe não ter cometido suicídio e sim ter sido vítima de assassinato. Na verdade uma espécie de “suicídio induzido”, se é que este termo pode existir e ter um dia se transformado em realidade. A notícia foi veiculada ontem e veio remexer no fundo do baú do inconformismo e do imaginário do público que ainda cultiva o fascínio pelo mito MM.

 

A notícia:

 

“A atriz Marilyn Monroe pode ter sido vítima de um complô para levar a seu suicídio, de acordo com um relatório do FBI, a polícia federal americana, segundo o jornal britânico The Independent. – Noticiou a BBC em 19.03.2007.
Segundo o relatório, Marilyn teria sido convencida por pessoas próximas de que, após consumir uma quantidade elevada de barbitúricos, seria encontrada a tempo e salva com uma lavagem estomacal. A tentativa de suicídio seria então usada para atrair a simpatia do público.

O Independent diz que o documento foi descoberto pelo diretor de cinema australiano Philippe Mora. Apesar de ter sido classificado como secreto em 1964, quando foi recebido pelo FBI, o relatório pode agora ser acessado sob as leis americanas de liberdade de informação.
Segundo o jornal britânico, o relatório diz que a conspiração teria o objetivo de impedir que a atriz tornasse público seu romance com Robert (Bobby) Kennedy, irmão do então presidente John F. Kennedy, com quem Marilyn também teria tido um caso.

Desde a morte da atriz, teorias da conspiração vêm sugerindo que ela foi assassinada por causa de seu envolvimento com os Kennedy.
O relatório, segundo o jornal, diz que Marilyn estava ameaçando revelar o romance com Bobby depois que percebeu que ele não iria largar a esposa e se casar com ela, como havia prometido.

 

 
A conspiração


As informações de Mora e do Independent são de que o relatório do FBI foi compilado por um "ex-agente especial", cujo nome foi apagado do documento. O agente diz no relatório que não pode verificar a veracidade das informações.
Entre as pessoas que teriam envolvimento com a conspiração para matar Marilyn estava o ator Peter Lawford, casado com a irmã dos Kennedy, Patricia. Ele teria telefonado para Bobby Kennedy na noite da morte da atriz para "saber se ela já tinha mesmo morrido".
Também teriam participado do plano o psiquiatra da atriz, Ralph Greenson, a empregada, Eunice Murray e a secretária e assessora de imprensa, Pat Newcomb.

"Marilyn esperava ter seu estômago lavado e então receber simpatia por sua tentativa de suicídio. O psiquiatra (?) não veio vê-la até depois que já se sabia que ela estava morta", diz o relatório.
O psiquiatra teria receitado a Marilyn 60 pílulas do barbitúrico Seconal, "o que era incomum, especialmente porque ela a atendia com freqüência".
"No dia da morte, a empregada colocou a embalagem com as pílulas na mesa de cabeceira. Há relatos de que a empregada e a secretária pessoal e assessora de Marylin, Pat Newcomb, estavam cooperando no plano para induzir o suicídio."

Todos os envolvidos no suposto plano já morreram.
Marilyn Monroe foi encontrada morta, nua em sua cama no dia cinco de agosto de 1962. O caso foi classificado como suicídio.
 



Escrito por Celso Duarte às 22h12
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Marilyn

A edição de dezembro de 2005 da “Playboy” americana, com Marilyn Monroe na capa, trouxe uma extensa reportagem, na qual chegou-se a comentar sobre uma possível exumação dos restos mortais da estrela. Isso porque, um dos procuradores de Los Angeles, com o nome de John Miner, que vem investigando o caso da sua morte desde 1962, acreditava que a exumação seria uma tentativa de determinar se há tecido suficiente do cólon para submete-lo a cromatografia a gás. – “Se o processo mostrar que o tecido foi exposto a barbitúricos (que viriam a ser a causa da morte oficial de MM), nós teríamos pelo menos uma resposta -- alguém a assassinou. Não acredito que a questão da identidade do assassino seja um dia resolvida, mas pelo menos teremos um diagnóstico correto, e Monroe não vai mais ser estigmatizada como uma suicida pelo resto da eternidade." Afirmou Miner.

 

Naquele mesmo mês (dez/2005), chegou às livrarias a biografia "Marilyn, Joe & Me", escrita por June DiMaggio, sobrinha do ex-marido da atriz, a estrela de beisebol Joe DiMaggio. Segundo June, que se descreve como "a melhor amiga de Marilyn", a estrela se lembrava com asco das sessões de sexo com figurões dos estúdios a que se submeteu até ser reconhecida como atriz. "Depois do horror de algumas sessões sexuais ela vinha para nossa casa e ficava no chuveiro por mais de uma hora. Ela queria lavar a terrível experiência pela qual tinha passado."

 

Se Marilyn, na vida real, passou por maus momentos como estes. Em seus filmes foi venerada e adorada  por homens apaixonados. Em todas as plateias do mundo, em cada poltrona de um cinema escuro num beco...lá estavam eles - esperançosos em busca de um impossível e irrealizável encontro. Afinal, como deve ser tratada a mulher amada? Como uma virgem, como um anjo, ou, simplesmente como uma garota que trabalha num bar? Bus Stop (Nunca fui santa) 1956, dirigido por Joshua Logan, aborda esse tema a partir da ótica de um vaqueiro apaixonado.



Cherie é uma cantora de bares de segunda categoria que sonha com uma carreira de sucesso em Hollywood. Bo é um rude mas bem intencionado vaqueiro, que se apaixona por Cherie mas a trata como se ela fosse gado.



Escrito por Celso Duarte às 12h38
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sobre balas perdidas...

Sobre balas perdidas e outras violências
 
 

Li seu último post e o texto mexeu comigo... Assim como tem mexido tudo o que tem acontecido. Eu tenho, sempre que possível, trabalhado com o tema da ética. Tenho vontade de me dedicar mais, estudar, focar meu trabalho nisso. Como é que as pessoas aprendem e chegam a legitimar os valores que orientam suas vidas. O que fazer para que os valores em que acreditamos sejam legitimados.  E a questão da violência se tornou muito importante porque, como você aponta, invadiu nossa vida de formas impensáveis, imprevisíveis e, muitas vezes, definitiva.  

Entretanto, o que mais me assusta é que, a meu ver, a sociedade, o povo, cultiva a violência. Não é meramente vítima. Vc já viu as imagens dos filmes, tanto na tv como no cinema? Os que mais atraem público?

Ontem, no cinema, vi o trailer de um dos filmes que com certeza fará o maior sucesso: 300 – com o Rodrigo Santoro. É impressionante como a violência é exibida como um objeto estético. As expressões são de puro ódio, ou sei lá o que de mais profundo e forte que impulsiona alguém a atacar um semelhante. E isso é exibido em detalhe, por vários ângulos, como que para permitir que seja saboreado, fruído pelas pessoas. E o tema musical potencializa o efeito das imagens. As pessoas vão ao cinema para ver isso porque gostam. Têm prazer com isso. Há algum tempo isso me chama a atenção porque identifico em muitos filmes... (e nos jogos eletrônicos, e no noticiário, e nas novelas ...) 

Ou seja, quem faz e veicula os filmes – e quem vai assisti-los – está fazendo funcionar a máquina que valoriza a violência. Embora por outro lado se diga que não se aceita. Que não se quer que as pessoas se agridam...
Será que se diz para não usar a violência com a mesma força e convicção com que se justifica o seu uso “quando necessário”?  Na verdade se diz ao mesmo tempo que a violência é errada e que os violentos são fortes e admiráveis...
Nas novelas, com todo o marketing social, muitos conflitos têm sido solucionados pelos “personagens do bem” com o uso da violência:
- a mocinha boa, surra a vilã até deixá-la desacordada, quebrada e cheia de hematomas;
- o pai, homem bom e paciente, depois de passar a novela toda ouvindo desaforos e assistindo a mal criações sem conseguir colocar limites, finalmente corrige a filha egoísta e sem respeito com uma surra em público;
- o avô, amantíssimo, que acolhe o neto desprezado e mal tratado pela avó megera, resolve o conflito e fica sabendo o grande segredo da trama “enforcando” a mulher até quase estrangulá-la e, assim obrigando-a a falar...
E em todas essas situações a reação foi de aprovação e até de aplauso, porque os agredidos “mereciam a lição”...

E o que se espera que as pessoas, de todas as idades, aprendam com isso? O que se comunica, ainda que sub-repticiamente, como valor? O que se espera que faça quem pode adquirir poder, respeito, dinheiro, usando a violência?  Isso, sem falar nas outras formas de violência...
Enfim, há tempos venho pensando nessas coisas. Quando li o seu texto me deu vontade de escrever, mas ficou muito grande para inserir como  comentário do blog.

 

Neide Mariza - SP

do autor do blog: Neide, obrigado pelo e-mail, você achou que estava longo, mas seus comentários são muito importantes para todos nós, que resolvi mantê-lo na íntegra.



Escrito por Celso Duarte às 14h08
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O Autor: Celso Duarte, Arquiteto, Compositor, Arte e Cultura.
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