Extravagância de Dubai

Transformando a paisagem, o oriente quer atrair os olhares do mundo e administrar a sua própria fortuna. Para atingir este objetivo contratou os arquitetos dos sonhos. Celso Duarte 24.06.2009
- Dubai é duas vezes vítima. Primeiro, o excesso de dinheiro levou a estripulias arquitetônicas gratuitas e desnecessárias. Depois, a crise mundial fez tudo parar na hora errada, e os esqueletos das torres ainda pela metade viraram sinal de alerta para o resto do planeta. O diagnóstico é do holandês Rem Koolhaas, vencedor do Prêmio Pritzker em 2000 e um dos arquitetos mais respeitados do mundo. "Fiquei desesperado porque a pressão da economia de mercado estava empurrando a arquitetura rumo à extravagância", disse Koolhaas, 64, numa palestra que deu em Charjah. "Dubai virou um centro de estranheza, é a caricatura da arquitetura." Seu único projeto em Dubai -uma grande caixa ortogonal de concreto- foi vetado por ser simples demais. Agora Koolhaas estuda a região com olhar antropológico, curioso com o futuro da arquitetura. "Toda essa extravagância é um sinal de alerta e ao mesmo tempo um sinal de esperança", resume. "Dubai aconteceu, fomos coniventes com tudo isso, mas também fomos os primeiros a denunciar todos os seus absurdos", admite Koolhaas, que agora monitora os projetos arquitetônicos da região na revista "Al Manakh", que criou com correspondentes locais. "Também seremos os primeiros a dizer a Dubai que tudo acabou, que não será mais a mesma."
"Vogue" e Dubai É uma ideia que pesa ainda mais em tempos de crise, que tornou cafona qualquer tipo de ostentação. Até a cultuada editora da "Vogue" norte-americana, Anna Wintour, disse que ninguém mais vai se vestir de forma "muito brilhante, muito extravagante, muito Dubai". Se antes a cidade era sinônimo de luxo desmedido, agora pode se tornar um novo laboratório para projetos mais sóbrios. "Há um paradoxo estranho entre a velha Dubai e a nova Dubai", diz Koolhaas. "Espero fervorosamente que a crise possa instaurar um novo modo de pensar; projetos foram adiados, atrasados, camuflados." O novo Guggenheim, por exemplo, símbolo desse exagero agora em decadência, tem construídas só as pontes para a ilha onde deve ser instalado, que continua vazia. Perguntado pela Folha o que acha do projeto, Koolhaas ficou um tempo em silêncio e arrematou: "É isso que eu acho". SILAS MARTÍ de CHARJAH E DUBAI p/ Folha
Transformando a paisagem, o oriente quer atrair os olhares do mundo e administrar a sua própria fortuna. Para atingir este objetivo contratou os arquitetos dos sonhos. Celso Duarte 24.06.2009
Escrito por Celso Duarte às 11h18
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