Michael Jackson e o sacrifício necessário

Quem se importava com ele? Vítima de tantas acusações e torturado pela mídia. Um negro incorfomado com a cor da própria pele?. Pedófilo, um homem tão frágil que não queria crescer, amarrado às fantasias da sua infância. Tendo sua vida íntima e sua privacidade devassada, distorcida em factóides e obscenidades. Seria este apenas o preço e as conseqüências da fama, o alto preço a ser pago pelo sucesso absoluto atingido pelas celebridades?

 

A verdade é que, quando os doze jurados da Corte de Santa Maria consideraram Michael Jackson inocente do suposto crime de pedofilia contra um menor de 13 anos, absolvendo o astro das 10 acusações que constavam no processo, centenas de fãs vibraram, emocionados, na porta do tribunal. Muitos deles faziam vigília há semanas no local. "Nós e a família estamos muito aliviados", disse a porta-voz Angel Howansky ao deixar o tribunal.

Assim como muitas as famílias inconformadas sentiram-se moralmente aliviadas, afinal o cantor havia sido acusado de conspirar para cometer abuso sexual infantil, extorsão e cárcere. Ele enfrentou ainda cinco acusações de abuso sexual infantil e mais quatro acusações de ter oferecido bebidas alcoólicas a um menor de idade com intuito de cometer abuso sexual.

Michael no polêmico documentário Living With Michael Jackson, do jornalista britânico Martin Bashir, admite ter dividido a cama com crianças, "mas não de uma forma sexual, e sim de um jeito doce e carinhoso."

Michael, livre das acusações voltaria à sua integridade. Um pai de família que amava os filhos e os cercava de carinho, como sonhava a maioria dos pais e filhos adeptos aos bons costumes, admiradores da sua arte perfeccionista
Porém, esta imagem tranquilizante teria um custo, talvez muito alto. Fato confirmado após sua morte, quando em entrevista ao tabloide inglês "The News of the World", a enfermeira Debbie Rowe, 50, negou que Michael Jackson fosse o pai legítimo dos dois filhos que tiveram quando casados. Ela disse ter engravidado por inseminação artificial de doador anônimo.

 



A tão esperada volta aos palcos, uma maratona de concertos, com ingressos esgotados, começaria no dia 13 de julho e se estenderia pelos próximos nove meses. Porém, o adiamento dos quatro primeiros concertos levantou a suspeita de que o astro estaria com câncer de pele, ecoada na imprensa internacional desde o mês passado.

 

No começo do mês, o próprio músico havia se manifestado contrário à maratona de shows, que achava exagerada. "Fui dormir sabendo que havia vendido 10 datas. Acordei com as notícias dizendo que eu estava agenciado para 50 apresentações", teria dito a fãs em Los Angeles, segundo o tablóide londrino The Sun. Seriam, no total, 750 mil assentos disponíveis até março.

Talvez, tenha sido esta também uma outra forma de overdose consumida pelo astro.

Dívidas de um "milionário que gastava como bilionário" teriam levado o cantor a aceitar o desafio. Estipula-se que o rombo nas contas do cantor extrapolasse os R$ 320 milhões - e que Michael seria capaz de ganhar quase o dobro disso com os shows em Londres. O sacrifício seria necessário, porém Michael Jackson, antes dono de um vigor invejável já não tinha a saúde de uma Madona no auge dos seus 50 anos, e apresentava sinais de cansaço.

"Ele vai ou não vai?" questionava a matéria postada, por ironia do destino, horas antes do anúncio da morte de Michael Jackson, no site da Rolling Stone EUA.


Michael Jackson morreu após receber uma injeção com dose fatal de Demerol, teria dito um membro da família ao site de celebridades TMZ. O site foi o primeiro a noticiar a morte do cantor, na quinta, 25. Michael sofreu uma parada cardíaca e, às 14h26 locais (18h26 de Brasília), sucumbiu sob cuidados de médicos do Centro Médico da Universidade da Califórnia.

Quem se importava com ele? Descobrimos após a sua morte o quanto o mundo lamentou a sua perda. Quanta tristeza cercou estes dias que passam numa infindável repetição de clipes e matérias. Chegou-se assim a uma comoção popular, quando os noticiários abandonam todas as calúnias e tragédias para cultuar a memória de um astro que passa a ser lembrado e venerado pelo que tinha de melhor e que o diferenciava de todos simples mortais - um incomparável talento.

 

P.S.-Ao encerrar este artigo encontro na internet estas declarações do jornalista americano Gay Talese - "A imprensa deve desculpas a Michael Jackson. A forma como o trataram é horrível. Morreu difamado antes de ter morrido. Seja qual for a razão que o legista der para a morte, não vai fazer diferença. Ele começou a morrer quando as acusações ganharam as manchetes. Em conluio com os acusadores, estava a mídia. Agora que está morto todos se lamentam, como se sua morte fosse uma tragédia nacional. Mas ele já era uma tragédia nacional todos esses anos e ninguém o ajudou."

 

 



Escrito por Celso Duarte às 20h49
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O Autor: Celso Duarte, Arquiteto, Compositor, Arte e Cultura.
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